Famílias são despejadas de casas em Leme após terreno ser leiloado - Plantão Lemense

03/05/2015

Famílias são despejadas de casas em Leme após terreno ser leiloado


Duas famílias de Leme foram despejadas nesta quinta-feira (30) após os terrenos em que elas moravam ser leiloado. Segundo elas, os lotes que ficam na Rua Segundo Facioli, no Jardim Ariana, foram comprados em 1997, mas não possuem escritura. A área pertencia a uma empresa que, por conta de dívidas, teve seus bens leiloados. Os moradores, que foram para casas de parentes, pretendem recorrer da decisão.

O vendedor José Vicente Teixeira recebeu a informação sofre o despejo há poucos meses. A casa dele foi a primeira visitada pelo oficial de Justiça. Mesmo possuindo os comprovantes de pagamento, ele preferiu respeitar a decisão do juiz e deixou o imóvel. “Nunca pensei que isso aconteceria na minha vida. Foi uma falha não registrar a escritura, porque IPTU, água e luz estão tudo certinho”, disse.

O assessor da Prefeitura Vandir Silvino da Silva passou pelo mesmo problema. Ele contou que chegou a ir ao cartório com o vendedor, mas faltou um documento do proprietário e a transferência não foi feita. “Depois de saber do despejo fui procurar o proprietário e ele disse que o documento está no cartório, mas não existe esse documento. Quando ligo, ele diz que não está em Leme”, contou.

Após três horas de negociações, ele não quis deixar a casa e foi levado para a delegacia. Silva afirmou que tem todos os documentos de compra e venda.

Liminar

O mecânico Benedito Aparecido Ramalho é dono de outro terreno que está na mesma situação, mas por enquanto o morador não será despejado porque conseguiu uma liminar da Justiça por tempo indeterminado.

“Eu tenho os registros do cartório da escritura que paguei. Não tem como eu sair daqui e amanhã dormir em qualquer lugar, olhar no rosto da minha mulher e falar que perdi tudo que dei para ela e para meus filhos”, lamentou.

De acordo com a advogada especializada em direito imobiliário Andrea Pereira Honda de Moraes, as famílias deveriam ter sido notificadas durante todo o processo, uma vez que esse direito está garantido no Código de Processo Civil. Ela afirmou que a decisão ainda cabe recurso.