Os 100 anos do Esporte Clube Lemense - Plantão Lemense

03/09/2015

Os 100 anos do Esporte Clube Lemense


A cidade de Leme deve se orgulhar do futebol que tem, não só dos times que possuí ou já existiram, mas pelo amor devotado ao esporte. Em comemoração aos 120 anos da cidade, o jornalista Daniel Cunha e Silva lançou o livro em memória aos 100 anos do Esporte Clube Lemense, o Azulão Querido, recordando os momentos áureos do clube e dos outros times que a cidade já teve.

O trabalho do jornalista, formado na UNESP Bauru, começou há 10 anos atrás, quando decidiu falar sobre os então 90 anos do clube em seu trabalho de conclusão de curso (TCC). Ele conta que as pesquisas foram feitas baseadas em jornais que não são publicados mais, entre as décadas de 1910 e 20, e documentou em seu livro, desde escalações, até fotos históricas das mais variadas equipes da cidade.

“Foi um trabalho muito árduo. Fiquei, praticamente, seis meses em meio a pesquisas, depoimentos de ex-jogadores e histórias pitorescas que não foram relatadas em outro lugar. Este livro consegue condensar todas as informações sobre quem quer pesquisar e saber mais sobre o futebol de Leme”



HISTÓRIA

O Lemense surgiu em 17 de junho 1915, data alusiva ao aniversário do padroeiro da cidade, São Manoel, sendo a primeira agremiação a pisar em um campo de futebol representando o município. O primeiro jogo realizado pela equipe é um tanto quanto confuso. O jornal da época, chamado “O Município”, citou o nome do Lemense pela primeira vez naquele ano. Porém, só em 17 de julho de 1917, o jornal informa a derrota da equipe para o CAP, de Pirassununga (se tornaria seu maior rival), pelo placar de 2×1. No mesmo ano, em 8 de setembro, foi divulgada a primeira súmula do jogo da equipe. O Lemense bateu a Santarritense por 1×0, com gol de Carlos. O Azulão entrou com Luiz Pink; Romano e Mário; Ilídio, Pino e Germiniane; Tales, Paulista, Carlos, Juca e Dionizio.

Das histórias pitorescas relatadas por Cunha, uma delas chama atenção pelo fato da “compra” de árbitros. Isso era muito praticado na época, não só por times do interior, como também da capital, ainda mais quando o jogo era em casa e precisavam do resultado. “De um depoimento de um ex-jogador, ele conta que o diretor do clube na época, Sr. Salvador, viajou de trem até Limeira para conversar com o árbitro da partida. Ao identificá-lo, ele senta ao seu lado e quer que ele roube a favor do Lemense, dando uma quantia em dinheiro”. O diretor, não querendo ser enganado, deixou claro para o árbitro que a cor do uniforme do Lemense era azul.

Mas aconteceu o inimaginável no dia da partida. “O adversário que veio para Leme esqueceu os uniformes e um diretor que não estava sabendo do acordo feito pelo Sr. Salvador e cedeu gentilmente os uniformes azuis. Resultado: o Lemense jogou de branco e o adversário de azul”. A partida terminou em 3×0 para os visitantes, com três pênaltis inexistentes marcados pelo árbitro.

Outra história marcante é o grito de guerra entoado pela torcida do Azulão nas partidas do time. Nos anos 50, um torcedor entrava no estádio com uma buzina de caminhão e era entoada sempre quando o jogador do time da casa fazia uma grande jogada ou saia gol. O barulho era muito alto e irritava a torcida adversária.

“Certa vez um torcedor do Pirassununguense (sobrinho de um delegado de Pirassununga) veio tirar satisfações com esse torcedor da buzina. Uma confusão foi armada e o torcedor desferiu um golpe com a buzina no torcedor visitante. A polícia chegou para apartar a briga e haviam sumido com a buzina”. Depois deste episódio, a torcida ecoava “OLHA A BUZINA!” quando um time visitante queria fazer um coro maior em domínios azulinos.

Durante certo tempo, o time deixou de ser profissional e passou a atuar como uma equipe amadora, mas nunca deixando de frequentar jogos na região. Só no começo dos anos 70 é que o Lemense se torna um clube profissional novamente.

RIVALIDADE

O Pirassununguense é o seu maior rival. Vale destacar que os confrontos eram sempre marcados por confusões desde a década de 1920, segundo relato da imprensa da época. Outro rival que marca território é o Independente de Limeira. O confronto entre os times é marcado por muitas confusões entre as torcidas, a mais clássica envolve na decisão do quadrangular final do Campeonato Paulista, que dava acesso a divisão especial.

No último jogo, o Lemense precisava do resultado positivo para subir, e o Araçatuba perder o seu confronto. Na partida, disputada em Leme, o Azulão bateu o Independente por 1×0, gol do atacante Careca. Como subia apenas um time, o Lemense ficou com o vice-campeonato, mas o verdadeiro destaque foi para a grande briga entre as torcidas após o confronto.

O ESTÁDIO
Em sua época de ouro, o Lemense mandava os seus jogos no antigo Estádio Municipal Hilário Harder até o fim dos anos 70. Porém, no dia 30 de novembro de 1980, foi inaugurado o Estádio Bruno Lazzarini, popular Brunão, com capacidade para 7.018 pessoas, aonde o clube passou a mandar os seus confrontos. Na partida inaugural, os donos da casa receberam a Inter de Limeira venceu a partida por 2 a 0, tendo Dito Flexa, um dos grandes atacantes que a equipe já teve, como autor do primeiro gol da “nova” casa.



Antes da mudança, o Hilário Harder recebeu jogos de suma importância para o Azulão. Podemos citar o triunfo por 1 a 0, sobre o Palmeirense, de Santa Cruz das Palmeiras, com gol do lateral César, destacando a vitória para mais de 6 mil torcedores presentes. Dentre centenas de partidas disputadas no “Gigante Harder”, uma das mais curiosas foi a final da 2ª divisão de 1978, contra o Ilha Solteira, que aconteceu apenas no ano seguinte e com o famoso “melhor de 3”. A equipe de Leme levou a melhor e faturou o título da competição. O Azulão venceu a primeira por 3 a 1; perdeu a segunda por 2 a 1; e, por fim, a terceira foi disputada em Bauru, mas, mesmo assim, conseguiu o triunfo por 2 a 1, de virada.

CLUBE-EMPRESA

Em 2004, o time fechou as portas, mas retornou no ano seguinte, mais precisamente no dia 4 de outubro, como clube-empresa, assim como o São Carlos Futebol Clube e Ferroviária de Araraquara são hoje. A grande encruzilhada neste caminho foi o nome. Sob comando de empresários, o clube passou a se chamar Clube Atlético Lemense, alterando o escudo, mas mantendo as cores que sempre foram simbólicas nos tempos áureos da agremiação, além de fazer referência à cidade.


"OS PERSISTENTES"

O nome já diz tudo. Não é de hoje que existem torcedores loucos e apaixonados por clubes de futebol. Seja no Brasil ou em qualquer outro país do mundo. Mas os do interior paulista se destacam.

Em Leme, existe apenas uma torcida organizada, a “Os Persistentes”. Se pegar dois adeptos vamos ficar dias e dias contando algumas loucuras de amor que fizeram pelo time.

Para o fanático Luis Henrique, conhecido como “Geleia”, a paixão não tem idade. Filho de limeirense e lemense, Geleia vai ao estádio de futebol desde os quatro anos de idade, quando o pai já o levava para acompanhar o clube da cidade antes da troca de nome.

Com o amor desde novo pelo time, ele foi capaz de deixar a mulher com dois filhos em casa e viajar para Suzano, em busca de manter a tradição viva. E, Geleia considera como a maior loucura já feita pela paixão. “A que não esqueço, foi quando meus filhos gêmeos, hoje com seis para sete anos, na época recém-nascidos, e deixei a esposa sozinha num domingo e fui a Susano assistir o “Zulão”. O amor é hereditário, de pai para filho. Hoje, os gêmeos me acompanham aos jogos”, finaliza.

Questionado sobre o ditador popular, “torcedor fanático é tudo louco”, ele tem a resposta na ponta da língua, se considerando fazer parte dos “loucos”. “Se fazer de tudo para assistir o time de coração, até deixar a família em um domingo for loucura, acho que sim [risos].