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Fotógrafo de Pirassunuga,nascido em Leme é convidado para exposição em Paris

Vildnei foi convidado a integrar a Académie e vai
expor no Carrousel du Louvre (Foto: Vildnei Andrade)
O fotógrafo Vildnei Andrade, que atua em Pirassununga, foi convidado para compor a Divine Académie Française des Arts Lettres et Culture e vai expor sua arte no Carrousel du Louvre, a galeria comercial anexa ao museu parisiense, nos dias 22, 23 e 24 de outubro.

O convite para a instituição, fundada pela brasileira Diva Pavesi em 1995 para promover trocas culturais entre o Brasil e a França, veio por acaso, segundo o artista de 55 anos.
TCC de Andrade, 'Las Catrinas Desnudas' chamou a atenção da Académie (Foto: Vildnei Andrade)
Aluno de um curso em Leme, sua cidade natal, Andrade divulgou as fotos do trabalho de conclusão nas redes sociais e Roberta Lins, embaixadora da Académie, submeteu as imagens a outros membros da instituição. “Uns dois meses depois recebi o convite via e-mail e joguei fora achando que era spam”, contou o fotógrafo.

Sem resposta, Roberta contatou Andrade, contou que o chamado era verdadeiro e ele submeteu algumas fotos. Depois, recebeu as fichas de cadastro e, no último dia 1º, participou de uma cerimônia no Copacabana Palace, no Rio de Janeiro.


Exposições

Andrade contou que começou a tirar fotos aos 15 anos, sem conhecimento técnico, e que o trabalho profissional começou há cerca de seis anos, em uma agência de modelos. Uma das jovens pediu um ensaio nu e, nos últimos três anos, ele foi se aprimorando na área.

Para o fotógrafo, o nu artístico ainda é um tabu e explica o fato de, até hoje, ter participado de apenas uma exposição, realizada em Leme no ano passado. “Por ser nu, o preconceito é grande, há dificuldade de conseguir galerias”, disse.

“As pessoas devem começar a olhar com outros olhos o nu artístico, ver o nu não como pornografia, mas como belo. O fotógrafo é um artista e a mulher é uma artista”, defendeu Andrade, que já recebeu ameaças em redes sociais e teve perfis deletados.

Na França, ele vai expor uma de suas fotos e participará do lançamento do livro “Os brasileiros vistos pelos brasileiros”, que contará com o trabalho de 50 fotógrafos. Também será nomeado embaixador da Académie e, como aconteceu em seu caso, poderá localizar e indicar outros artistas.

“Tudo é recente, esse convite foi uma surpresa, estou sendo surpreendido”.

Banalização

Professor de fotografia no Centro Universitário de Araraquara (Uniara), Cesar Mulati contou que não vê o nu artístico como tabu, mas é preciso saber diferenciar esse tipo de arte.

“Com os meios eletrônicos, estou vendo a publicação de nus artísticos de forma até mais tranquila do que em épocas atrás”, disse. “Mas deve-se tomar cuidado com a banalização da fotografia de nu e saber diferenciar o nu de uma foto que apenas expõe o corpo. A grande preocupação é a banalização”.

"Uma fotografia pode ser apenas o registro ou pode ser baseada em recursos", continuou, "promover a reflexão, a emoção". Para isso, Mulati explicou que as imagens devem trazer o conhecimento da linguagem fotográfica, com uma luz diferenciada e enquadramento bem elaborado, entre outros aspectos. "Isso caracteriza a fotografia artística: a linguagem geradora de significado. Pode ser um nu que remete à Grécia ou um homem nu em frente a uma câmera".