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Idoso morre de infarto e família diz que houve omissão na Santa Casa

Uma família denuncia que um homem de 78 anos morreu de infarto depois de procurar e não conseguir atendimento na Santa Casa de Leme, na terça-feira (1º). Os parentes alegam omissão, pois, em protesto por causa dos salários atrasados, o atendimento médico no hospital estava restritos às emergências. O coordenador de intervenção da Santa Casa, Vanderlei Bazílio do Nascimento, alega que todo o protocolo de atendimento foi realizado.

Segundo a família, logo que Airton Saitine teve os primeiros sintomas, como enjoos e dores no peito, ele foi levado para a Santa Casa, ainda pela manhã, mas os médicos teriam se recusado a atender. O motivo é que eles estariam com os salários atrasados, segundo o aposentado João Cerbi, cunhado de Saitine.

“Isso foi o que falaram para ela. Que os médicos não estavam recebendo o salário em dia, que estava atrasado há mais de 2 meses. E mandaram ele para o Centro Médico Integrado (CMI), que é praticamente um posto de saúde. Onde que uma Santa Casa, um pronto-socorro, pode mandar para o CMI? No CMI deram soro, alguns medicamentos e mandaram para casa”, contou o aposentado.

Na porta do hospital, um aviso confirma a inadimplência dos pagamentos e informa que só consultas de urgência e emergência serão atendidas. No início da noite, quando o idoso passou mal pela segunda vez e sofreu uma parada cardíaca, a família conseguiu que ele fosse atendido. “Na verdade foi praticamente uma omissão de socorro. A situação foi grave porque não deram o atendimento adequado”, disse Cerbi .

A filha de Saitine gravou uma das conversas que teve com o médico. “Se for uma aneurisma de aorta, provavelmente já está com esse aneurisma desde às 9h. E, se for um infarto agudo de miocárdio, está com esse infarto agudo de miocárdio desde às 9h. Já passou o tempo de angioplastia, já passou o tempo de trombose. Já passou o tempo de uma cirurgia de emergência para aneurisma de aorta. E, se for uma infecção abdominal, ainda tem tempo. Essa que é a grande realidade”, disse o médico no áudio.

Para os parentes, a atenção com o idoso veio tarde. “Ninguém vai trazer o Airton de volta, mas se tivesse atendido, às vezes dava tempo até de fazer uma pequena operação de emergência, porque aneurisma e aorta todo mundo sabe que é grave, tinha que ser imediatamente”, lamentou Cerbi.

Santa Casa

A reportagem entrou em contato com o coordenador de intervenção da Santa Casa, que disse que os salários dos médicos já estão sendo negociados. Segundo ele, metade dos salários atrasados, referentes a junho de 2015 e janeiro deste ano, foi paga na sexta-feira (26) e a outra metade nesta quarta-feira (2).

“Está normal a questão dos salários. A questão de junho, e alguns outros passivos, nós vamos chamar a junta médica e vamos tentar negociar dentro dessa penúria que é o orçamento da nossa Santa Casa e junto também com a municipalidade, uma vez que o hospital está sob intervenção”, disse Nascimento.

Sobre a morte do idoso, Nascimento alega que todo o protocolo de atendimento foi realizado.
“Ele passou aqui pela manhã num quadro que não caracterizava emergência, depois ele foi encaminhado ao CMI, e foi orientado, observado, durante todo o dia, foram realizados exames. Foi liberado, depois passou mal e retornou ao nosso Pronto-socorro da Santa Casa, onde foi atendido dentro dos procedimentos normais. Infelizmente, para a nossa tristeza, ele veio a óbito, mas todo protocolo de atendimento foi realizado pelos nossos médicos”, declarou o coordenador.