Ocupação de área retrata a falta de moradias em Leme - Plantão Lemense

21/08/2017

Ocupação de área retrata a falta de moradias em Leme

A invasão de 120 famílias a uma área do governo federal em Leme retrata a falta de moradias. No último conjunto habitacional entregue pela prefeitura há irregularidades.

A administração municipal não sabe qual o déficit de moradias da cidade e não tem ideia de quando fará um levantamento para saber quantos precisam de casa.

“O prazo ainda não foi estabelecido, mas será o mais rápido possível, porque a carência é grande”, disse o chefe de gabinete, Carlos Diniz.

Na última semana, uma área da antiga Fepasa, perto do Conjunto Habitacional do Jardim Empírio foi invadida por cerca de 120 famílias. O terreno pertence à União e não tem água, esgoto ou qualquer outra infraestrutura.

Segundo um dos lideres do grupo, todos que estão no acampamento são de Leme, pessoas que não têm mais condições de pagar aluguel. “Eu tenho oito filhos, tem dois comigo, o resto casado, eu fiz a inscrição e sem renda e nem nada não consegui ganhar a casa”, disse a dona de casa Celma Moreira da Silva.

Ao menos mil casas populares foram entregues em 2015 no Jardim Empírio, mas muita gente que ficou de fora reclama de irregularidades. “Tem muita gente que não precisa da casa e está lá, e nós que estamos de suplente, pagando aluguel, precisamos da casa e estamos aí”, disse a dona de casa Pamela Dias.
Por causa de uma única letra, a também dona de casa Cristina Beachio Cardoso ficou fora do último sorteio. No cadastro ela foi registrada como ‘Cristiana’. Segundo ela, está difícil para a família pagar o aluguel, ainda mais com o filho autista.

“Eu pago R$ 600 de aluguel fora a água e a luz. Com o remédio eu gasto R$ 300 por mês. Tem meses que tenho que pedir para a dona da casa me ajudar, eu dou um tanto e no outro mês o resto”, contou.

Ela levou caso ao Ministério Público e à Defensoria Pública, mas disse que ainda não teve uma resposta.

O chefe de gabinete prefeitura disse saber das irregularidades no conjunto habitacional, mas afirmou que não sabe quando terá fiscalização. “Tem muita gente que está de forma irregular, eu acho que a prefeitura tem que fazer o mais rápido possível, mas não tem um prazo”, afirmou.

A prefeitura informou que existe um termo de uso provisório dessa área e que os advogados do município estão estudando uma solução. Fonte: G1 São Carlos