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Atleta lemense é convocado para a Seleção Brasileira de amputados

imagens: fã-page oficial do atleta
imagens: fã-page oficial do atleta
equipe da Seleção Brasileira

O atleta lemense Hugo Ricardo Boy de 25 anos recebeu nessa semana uma importante e gratificante notícia para a sua vida e carreira: a sua primeira convocação para a Seleção Brasileira de Amputados.


Hugo descobriu o Futebol de Amputados através de uma rede social. “Um rapaz de Santos foi convocado para jogar na seleção e publicou em um grupo que temos. Aí eu decidi entrar em contato com ele, que me passou o telefone do Juninho, que é jogador e coordenador do projeto da Ponte Preta. Ele me convidou pra jogar um amistoso no ano passado, e desde então fiquei no time”. O obstáculo que Hugo enfrenta atualmente é a distância. Por morar em Leme, ele treina individualmente durante a semana e, no fim de semana, vai para Campinas para disputar campeonatos e amistosos.

Isso não é problema para ele, que foi recompensado com a convocação para a Seleção Brasileira.

Atualmente é atleta da Ponte Preta, e irá integrar a equipe da Seleção Brasileira que prepara para disputar a Copa do Mundo da categoria que acontecerá na cidade de Guadalajara no México.

curta abaixo a página oficial do Hugo no facebook:
HISTÓRIA DE SUPERAÇÃO

O sonho de se tornar jogador de futebol guiou Hugo Ricardo Boy, natural de Leme, para uma vida inteira ligada à modalidade. Sua paixão quando garoto, porém, era o karatê, esporte que praticava desde os sete anos de idade. Uma década mais tarde seria aprovado no Lemense para a disputa da Copa São Paulo de Futebol Júnior, até que uma dor no joelho encurtou uma carreira promissora, mas abriu uma porta desconhecida pelo jovem: a do futebol de adaptados. Destro, Hugo foi diagnosticado com osteossarcoma, um câncer ósseo justo na perna direita, que o fez perder o membro. Hoje, brilha com a camisa da Ponte Preta e, com apenas um ano de carreira, foi convocado pela primeira vez para a Seleção Brasileira de Futebol de Amputados.

Quando criança, Hugo brilhava pelos tatames e não queria saber de chuteira. Ele queria mesmo era usar o kimono e uma faixa amarrada à cintura para brilhar no karatê. Chegou a ser eleito o melhor atleta da categoria, e também conquistou um campeonato paulista e foi vice-campeão brasileiro.

“Sempre gostei de esportes e conquistei títulos no karatê, como um campeonato paulista e um vice brasileiro. Eu dividia o tempo em estudar, à tarde jogava bola e fazia as aulas de karatê à noite”.

Aos 16 anos teve que deixar o karatê de lado para focar nos estudos. Iniciou um curso técnico em Leme e, devido à falta de tempo, não conseguia mais conciliar os treinos à noite. Até que decidiu levar o futebol mais a sério e se arriscou em um teste para as categorias de base do Lemense.

“Dos 16 para os 17 anos eu parei com o karatê, e decidi fazer um teste no Lemense para jogar a Copa São Paulo de Futebol Júnior. Até fui aprovado para jogar de lateral direito. Só que nesse meio tempo comecei a sentir uma dor no joelho, que começou a inchar. Eu achei que era um desconforto normal por causa da prática de esporte”, disse. Entretanto, o problema era muito mais grave do que se imaginava.

SUSTO E DRAMA

Alguns meses depois, Hugo não conseguia mais treinar de tão inchado que o joelho estava, sem contar a “dor insuportável”, segundo ele. Durante uma consulta com um ortopedista, o médico disse que Hugo estava com reumatismo e que teria que fazer um tratamento durante três meses. Não adiantou. Até que um amigo sugeriu que ele fizesse um exame de ressonância magnética em Limeira. “Um amigo meu falou pra eu fazer a ressonância, e aí descobrimos que eu estava com osteossarcoma, um câncer ósseo na perna direita, que já estava um pouco desenvolvido: 6 centímetros de diâmetro.

“Com a descoberta do câncer, minha vida mudou. Fui pro Hospital de Câncer de Barretos e, durante um ano e meio fiquei fazendo quimioterapia e exames para tentar me livrar do câncer. Até que no dia primeiro de abril de 2011, o médico disse que eu tinha que fazer a cirurgia de amputação porque o câncer tinha tomado conta da articulação do joelho. Meus pais ficaram desesperados, e não queriam assinar o termo de responsabilidade para fazer a amputação, já que eu era menor de idade. Mas eu estava tranquilo, sabia que era o melhor para mim. A dor era insuportável. Depois que eu amputei a perna, eu consegui dormir uma noite inteira”, completou.

Passada a cirurgia e a adaptação ao perder a perna direita, Hugo decidiu, em 2010, que não ficaria cabisbaixo e vendo a vida passar. Sempre movido pelo esporte, resolveu fazer uma faculdade de educação física, mas ouviu questionamentos até mesmo de pessoas próximas. “Muitas pessoas falaram que eu não poderia fazer porque não ia conseguir acompanhar a turma, perguntavam como eu ia dar aulas. E isso só me incentivou ainda mais”, afirmou. “Eu me formei em 2015 e hoje trabalho em uma academia aqui de Leme. E já dei até aulas de futebol pela cidade”.

Quando parecia que tinha chegado longe após a faculdade, Hugo viu que ainda tinha muito mais a oferecer. E foi novamente através do futebol que sua vida mudou, literalmente, de um dia para o outro. Fonte: Gustavo Porto - A Cidade ON

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