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Leme está em epidemia de dengue mas Vigilância Epidemiológica não avisou a população

Cidade soma 785 casos confirmados da doença. Vigilância Epidemiológica admite que não viu a necessidade de fazer um decreto de estado de epidemia e R$ 90 mil foram gastos com exames

Com 785 casos confirmados de dengue, Leme vive uma epidemia de dengue há pelo menos 4 meses. Apesar disso, a prefeitura não comunicou a população e não vê necessidade do decreto.

A cidade tem 101 mil habitantes e tem uma média de 1 caso de dengue para cada 128 moradores.

Para saber quando uma cidade está oficialmente em epidemia, há o diagrama de controle criado pela Secretaria Estadual de Saúde. Uma das linhas mostra o tempo dividido por semanas e a outra o número de casos para cada 100 mil habitantes.

Quando o número de casos fica acima da média histórica por pelo menos 4 semanas, a cidade está em epidemia. Esse é o momento de mudar algumas ações e também de avisar a população.

Segundo o advogado especialista em direito administrativo Lucas Rodrigues, o anúncio pode ser feito à população através de entrevistas a imprensa ou do Diário Oficial.

“O administrador tem que comunicar a população de seus atos. Ele pode inclusive ser responsabilizado por essa ausência”, afirmou.

Prefeitura não vê necessidade de decreto

No caso de Leme, somente nesta semana a coordenadora da Vigilância Epidemiológica, Neomar Bezerra, admitiu a situação.

“Nós atingimos esse número de casos e estamos trabalhando desde o início para conter isso. [A epidemia chegou] com menos de 200 casos”, afirmou. 

Ela também não vê a necessidade de fazer um decreto de estado de epidemia.

Na prática, com a epidemia, não é necessário mais esperar pela confirmação do exame de sangue para confirmar casos e, se o paciente for à unidade e o médico avaliar que ele está com dengue, o caso já é considerado confirmado.

Com isso, a prefeitura já pode começar a agir, por exemplo, com uma ação de bloqueio no bairro onde o paciente mora.

Gasto de R$ 90 mil com exames

Mesmo com a epidemia, a Prefeitura de Leme decidiu não abrir mão dos exames laboratoriais. Por isso, teve que pagar os exames com dinheiro do município. Foram R$ 30 por exame, com total de R$ 90 mil.

“O prefeito já implementou muito nessas ações, ele forneceu tudo o que a gente precisava para todas as ações preconizadas. Isso é um adicional que ele resolveu investir para poder dar essa resposta para a gente estar trabalhando melhor nos outros anos”, afirmou Neomar.

O chefe do Centro de Controle de Zoonoses, José Ricardo Matos Varzone, diz que a cidade faz tudo o que está ao alcance para controlar o mosquito.

“Entrar nas casas, identificar os locais potenciais de criadouros e eliminá-los. Muitas casas a gente não consegue adentrar, pela negativa do morador de dizer que já controla. Se eu não entro eu não tenho como comprovar se a residência realiza o controle”, disse Varzone.

O advogado questiona e diz que dá pra ir além, usando por exemplo, leis federais que permitem até entrar em casas sem a autorização do dono.

“Não tem que abafar o caso, tem que falar. Cada um fazendo sua parte e a prefeitura tomar providência a alertar a cidade”, disse a dona de casa Maria de Lourdes Ramos Pereira. Fonte: G1 São Carlos

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